OBJETIVOS E MÉTODO
Promover o desenvolvimento sustentável das ilhas de Porto Alegre sob a perspectiva de transição socioecológica implica garantir condições para que processos naturais sigam seu curso, reconhecendo o território como lugar de vida, memória e pertencimento na interface entre cidade e paisagem deltaica. Isso requer superar paradigmas que tratam essas áreas como frágeis ou periféricas, promovendo justiça espacial, direito à vida e pertencimento. No âmbito do projeto, repensam-se formas de habitação, espaço público, paisagem urbana e infraestrutura, articulando as necessidades das comunidades locais com a regeneração ecológica, integrando o arquipélago ao tecido socioecológico da cidade e à paisagem hídrico-ribeirinha.
A relação historicamente distante entre Porto Alegre e seus corpos d’água, especialmente suas ilhas, influencia o equilíbrio do sistema e a conexão dos habitantes ao território, destacando a necessidade de planejamento que torne as ilhas habitáveis e resilientes frente a riscos hidrológicos extremos e à intensificação da crise climática. Essa transição demanda um plano que vá além da proteção ambiental, incorporando estratégias de regeneração ecológica e adaptação social, com gestão integrada, visão sistêmica, ação participativa e práticas colaborativas de longo prazo.

OBJETIVO
O objetivo do Projeto Arquipélago é desenvolver uma proposta técnico-científica do Plano Urbanístico e Socioambiental para o Desenvolvimento Justo e Sustentável das Ilhas de Porto Alegre.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1
Realizar diagnóstico urbanístico e socioambiental;
2
Avaliar o território, indicando quando houver necessidade de reassentamento;
3
Produzir análise de riscos, ameaças e vulnerabilidade climáticas;
4
Traçar diretrizes de reassentamento, com vistas a garantir o direito à cidade;
5
Identificar necessidade de recuperação de estruturas e infraestruturas urbanas;
6
Propor metodologia para recuperação das áreas degradadas pós-reassentamento;
7
Desenvolver propostas de habitações ofertadas in loco (tipologias e especificações);
8
Desenvolver propostas de mitigação e de adaptação / recuperação / ocupação;
9
Consolidar o Plano Urbanístico Socioambiental;
10
Desenvolver modelagem econômica e proposta de implementação;
11
Consolidar o Plano de Monitoramento e Avaliação Permanente;
12
Desenvolver conhecimento sobre integração sistêmica e projeto urbanístico e socioambiental, com base em abordagens transdisciplinares e inovação científica, por meio da elaboração de um quadro conceitual, teórico e metodológico;
13
Fortalecer o conhecimento e a capacitação em design regional multiescalar, voltado à adaptação territorial e transições socioambientais diante de cenários de clima extremo;
14
Promover o intercâmbio cultural, técnico e científico entre o Brasil e os Países Baixos, com foco na cooperação em estratégias de adaptação climática e fortalecimento da resiliência territorial.
MÉTODO
Abordagem Metodológica Transdisciplinar
O Projeto Arquipélago possui uma abordagem metodológica transdisciplinar, isto é, promove diálogo entre diferentes formas de saber. Para tal, conta com a produção colaborativa de conhecimento entre acadêmicos, profissionais, comunidades locais, organizações da sociedade civil, formuladores de políticas, entre outros. O projeto possui momentos de colaboração de conhecimento científico e técnico entre pesquisadores e especialistas do Brasil e Países Baixos como também instâncias de colaboração popular para integração de saberes locais. Todas as perspectivas, científica, técnica e popular, serão integradas para criar e validar ideias que preparem o Arquipélago para o futuro.

Embasamento
técnico-científico
Para aprofundar a integração do conhecimento desenvolvido pela equipe técnica dos dois eixos e o aprofundamento do aporte científico e técnico a partir dos Países Baixos, realizamos uma sequência de ‘Ateliês Técnico-Científicos’. Os ateliês oferecem ao grupo de trabalho uma oportunidade de assessoria realizada pelo grupo da consultoria sênior ao longo do trabalho.
Modelo de capacitação
O processo metodológico do projeto oferecerá um modelo de capacitação para atores locais. A capacitação acontece a partir do envolvimento do corpo técnico da prefeitura de Porto Alegre em todas as etapas do projeto, e de seminários e workshops organizados pela equipe técnica. Este processo colaborativo também é central para alcançar a transdisciplinaridade, uma vez que as propostas do grupo técnico Brasil-Países Baixos precisam se adequar à realidade da capacidade executiva do município de Porto Alegre.
Participação
popular
Para integrar o conhecimento da população local e garantir a democratização do processo, serão realizadas uma série de instâncias de Participação Popular em diferentes formatos. Ao longo das diferentes fases do projeto, criam-se oportunidades para que os atores locais desenvolvam, proponham e negociem ativamente as decisões e rumos do projeto, baseando-se em seu próprio conhecimento local, necessidades, aspirações e realidades socioambientais.
As instâncias participativas do projeto são de diferentes tipos (ver tabela abaixo) e são desenvolvidas em diálogo com lideranças locais, atores com extensa experiência em processos participativos no território.


PARTICIPAÇÃO POPULAR
TIPO
DESCRIÇÃO
EXEMPLOS
Informativa
Transparência às etapas e produtos do projeto.
- Plantões comunitários;
- Pulverização (GT das lideranças, redes sociais e whatsapp)
Formativa
Aprendizagem coletiva e diálogo.
- Panoramas comunitários temáticos;
- Exposições.
Consultiva
Validação de decisões.
- “Momentos de feedback”;
- Reuniões específicas com atores-chave.
Colaborativa
Decisão conjunta e negociações reais.
- Ateliês temáticos de co-desenho.














